sexta-feira, 31 de julho de 2015

Sou uma jujuba vermelha


Jujubas vermelhas eram as minhas preferidas. Você dizia que não, que era injusto com as outras cores só porque o vermelho se destacava. Fazia questão de comer uma jujuba amarela na minha frente, porque esta, para mim, era a mais sem graça. 

― O mundo é colorido, Luiza. – você deixou bem claro, enquanto pegava uma jujuba roxa e a mirava na minha boca, num olhar bem sugestivo.
― É claro que é. – menti. 
É porque eu vejo tudo em vermelho. Com paixão, e força de vontade. Meio revolucionário. As pessoas podem e devem fazer o que gostam, o que querem. E é exatamente isso o que o vermelho significa. E talvez a jujuba vermelha tenha também a vontade de não ser uma jujuba. De ser outro doce, ou ter outro gosto.
E é dessa forma que sempre me senti. Como uma jujuba vermelha. Sempre quis ser diferente, destacar – não só por causa meu signo – e ser mais do que os olhos alheios podem ver. Eu sou muito mais que uma pessoa cheia de sonhos que foram impostos para mim. Eu tenho vontade própria; opinião própria. Gostos. Desgostos. Formas. E uma personalidade que nem sempre convém. 
Prazer, sou uma jujuba vermelha.



1 comentários:

Nina disse...

Que fofice, Ana! <3 Adorei o texto. Tem um quê de realidade, mas um quê de fantasia. Gostei muito do eufemismo.

Love, Nina.
http://ninaeuma.blogspot.com/

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